27 de ago de 2016

Konãgxeka no Cinecipó



Konãgxeka está também na sexta edição do Cinecipó - Festival de Cinema Socioambiental, que acontece de 5 a 9 de outubro no Sesc Palladium, em Belo Horizonte.
A lista completa de filmes selecionados pode ser acessada no link:

26 de ago de 2016

Konãgxeka no Animaldiçoados



Estamos muito felizes que nossa animação Konãgxeka: o Dilúvio Maxakali foi selecionada também para a sétima edição do Animaldiçoados - Festival Internacional de Animação Sombria, que acontece no Rio de Janeiro, de 01 a 11 de setembro, e em São Paulo, em 17 e 18 de setembro.
Maiores informações no site do Festival:

25 de ago de 2016

Konãgxeka no Interculturalidades 2016



Konãgxeka está confirmado na programação do Festival de Cultura Popular - Interculturalidades 2016. Organizado pelo Centro de Artes UFF, com apoio do Ministério da Cultura, o evento faz parte da Maratona Cultural da Universidade Federal Fluminenseque acontece de 12 a 18 de setembro
Nossa animação fará parte da Mostra Cineastas Indígenas, promovida pelo Cinearte UFF.
Toda a programação do evento, que conta com mais de 100 atrações, é gratuita.
Maiores informações no site:

21 de ago de 2016

Konãgxeka no Bang Awards



Nossa animação Konãgxeka: o Dilúvio Maxakali foi selecionada para o Bang Awards - International Animated Film Festival. Promovido pelo Conselho Municipal de Torres Vedras, em Portugual, neste festival online, qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, pode assistir e votar nos filmes hospedados no site.
Tendo como tema de sua terceira edição a "Natureza Humana", o Bang Awards deste ano já está rolando.
Para conferir e votar em Konãgxeka, basta acessar o link:




19 de ago de 2016

Konãgxeka na Bahia



Konãgxeka: o Dilúvio Maxakali em mais um festival. Desta vez, na cidade de Cachoeira, na Bahia, o Cachoeira Doc exibira nossa animação na Mostra Contemporânea. A exibição se dará na Orla de São Félix, às 20 h
Mais informações no site:
http://www.cachoeiradoc.com.br/2016/speaker/konagxeka-o-diluvio-maxakali/

18 de ago de 2016

Konãgxeka no Anima Mundi



Temos a alegria de comunicar que Konãgxeka: o Dilúvio Maxakali foi selecionado para o Festival Anima Mundi 2016. Com cerca de 1600 filmes inscritos e 373 selecionados, de 45 países, sendo 102 brasileiros, o Festival acontece em duas versões: de 25 a 30 de outubro no Rio de Janeiro e de 02 a 06 de novembro em São Paulo.
Para conferir a lista completa de selecionados, bem como maiores detalhes, acessem o link:
https://www.animamundi.com.br/confira-os-selecionados-para-o-festival-anima-mundi-2016/

12 de ago de 2016

Konãgxeka no Novo México, Estados Unidos


Konãgxeka: o Dilúvio Maxakali foi selecionado para exibição no 5th Annual Native Film Showcase, festival promovido pelo Future Voices of New Mexico (http://www.futurevoicesofnewmexico.org), uma iniciativa de colaboração para promover filmes indígenas e de outros grupos pouco representados mundo afora.

O festival faz parte da mostra Smithsonian National Museum of the American Indian 2016 Native Cinema Showcase que ocorre durante a Santa Fe Indian Market, tradicional evento voltado às artes indígenas.
As exibições acontecem no The Lensic Performing Arts Center, em Santa Fe, Novo México, no dia 17 de agosto.
Maiores detalhes podem ser verificados no site:

5 de ago de 2016

Konãgxeka em Michoacán, no México



Konãgxeka: o Dilúvio Maxakali foi selecionado também para o XII Festival de Cine y Video Indígena. O Festival, que é promovido pela Comisión Interinstitucional para la Cultura de los Pueblos Indíegnas de Michoacán (CICPIM), busca valorizar e reafirmar a cultura, as tradições, a cosmogonia e o cotidiano dos povos originários. E acontecerá de 8 a 12 de agosto, em Michoacán, México.

Konãgxeka na Mostra Curta Audiovisual, em Campinas



Konãgxeka: o Dilúvio Maxakali está entre os 61 filmes selecionados (dentre 365 inscritos) para a décima edição da Mostra Curta Audiovisual, que acontece em Campinas, de 15 a 25 de setembro.

A Mostra Curta Audiovisual promove desde 2006 no município de Campinas uma programação gratuita constituída por exibições de filmes em praças públicas e espaços culturais da cidade, além de oficinas práticas e palestras com profissionais da área audiovisual. Toda a programação é gratuita e voltada à exibição de conteúdo, divulgação e formação de público para filmes no formato curta-metragem.

A lista completa de filmes selecionados pode ser conferida no seguinte link:
http://www.mostracurta.art.br/filmes-selecionados/

21 de jul de 2016

Konãgxeka no Asinabka Film and Media Arts Festival no Canadá



Konãgxeka: o Dilúvio Maxakali, ou, em inglês, Konãgxeka: the Maxakali Flood, foi selecionado para exibição no Asinabka Film and Media Arts Festival, que acontece em Ottawa, no Canadá.
Konãgxeka será exibido junto a outras animações internacionais na sessão Godfather Drum: Animation Program, no dia 14 de agosto de 2016, ao ar livre no pátio da SAW Gallery, em Ottawa.

A programação completa pode ser acessada no seguinte link:
http://www.asinabkafestival.org/Animation_Program.html

10 de jun de 2016

DVD Konãgxeka: o Dilúvio Maxakali



Está saindo do forno o DVD do filme de animação Konãgxeka: o Dilúvio Maxakali, com direção de Isael Maxakali e Charles Bicalho, produzido pela Pajé Filmes. A arte gráfica é de Jackson Abacatu, que também assina a direção de animação do filme.
Quem se interessar em adquirir o DVD de Konãgxeka, pode solicitá-lo escrevendo para o nosso email: pajefilmes@gmail.com

5 de jun de 2016

V Mostra Pajé na Rádio UFMG - Educativa



No dia 19 de abril, primeiro dia da V Mostra Pajé, fomos entrevistados ao vivo para a Rádio UFMG - Educativa.
Para quem quiser conferir, eis o link ao final.

"Você conhece algum filme produzido por indígenas? A Quinta Mostra Pajé de Filmes Indígenas começa hoje, no Sesc Palladium, e exibe produções audiovisuais com produção de representantes de comunidades indígenas ou temas relacionados à sua realidade.

Ouça a entrevista com Charles Bicalho, curador da Quinta Mostra Pajé de Filmes Indígenas.
Tempo: 13:41 min."

https://www.ufmg.br/online/radio/arquivos/043111.shtml

26 de mai de 2016

Exposição Lupa - Ensaios Audiovisuais



Produzido pela Pajé Filmes, o filme Xupapoynãg (2011), de Isael Maxakali, foi selecionado pela curadoria da Exposição Lupa - Ensaios Audiovisuais. Fazendo parte da MAX - Minas Gerais Audiovisual Expo, a abertura da Exposição Lupa será no dia 31 de maio próximo, no Museu de Artes e Ofícios - MAO, localizado na Praça da Estação em Belo Horizonte.

27 de abr de 2016

Os fundamentos visionário e artístico da educação tribal - Look to the mountain - Gregory Cajete


VISUALIZANDO AS VOZES DE NOSSO CORAÇÃO

Os fundamentos visionário e artístico da educação tribal

Visão geral

No desenrolar da educação indígena, os contextos visionário e artístico compartilham uma relação mutuamente recíproca. De fato, eles se interpenetram um no outro no compartilhamento e na elaboração do sonho, da imagem e da resposta criativa. Suas formas de expressão podem se diferenciar, mas suas raízes de significação refletem e celebram uma alquimia interior do artista/visionário cuja tarefa se torna aquela da representação, do compartilhamento e da celebração dessas raízes. É o sonho divino, e a representação de sua essência através de imagens simbólicas, que transforma ambos artista/visionário e usuário em um modo significante e comunica algum sentido significante. A visão e a arte estruturam e trazem à compleição um processo transformativo de aprendizado e desenvolvimento. A visão e a arte refletem a realidade dos humanos enquanto seres criativos, imaginativos e plenos.
Os caminhos da visão e da arte podem ser rastreados de volta à região do sonho e do mito, que são a origem e a motivação para a expressão criativa. O primeiro visionário, o primeiro artista, foi ninguém menos que o primeiro pajé, que santificou e legitimou sua visão através do sonho e do mito.
“Os índios Blakcfoot nos contam que foi o Homem Velho quem lhes mostrou como fazer tudo de que necessitavam. ‘Na base há sempre uma revelação divina, um ato divino, e o homem tem apenas a ideia brilhante de copiá-lo’... O primeiro rei-herói nascido-deus de todas as nações e raças – como Osíris no Egito e Quetzalcoatl no México – foi aquele que ensinou as artes e mostrou aos povos como fazer utensílios.”
De fato, é ao Primeiro Pajé que são atribuídas as visões orientadoras, as artes sagradas, o conhecimento da medicina, da caça, da construção, do aprendizado e da vida em determinado ambiente. O pajé foi o primeiro guardião de sonhos, o primeiro artista, o primeiro poeta, o primeiro caçador, o primeiro médico, o primeiro dançarino, cantor e professor. Enquanto o pajé personifica o visionário e o artista arquetípicos, estes são os potenciais que permanecem em cada um e em todos nós, cada homem, cada mulher, e cada criança. Os povos tribais entenderam e celebraram tais potenciais como uma vocação integrante do aprendizado, do ser, e do tornar-se completo.
Através do encorajamento, através do ritual, através do treinamento e da prática, os povos tribais formaram e guiaram esta reflexão do divino em cada um.
Este capítulo segue a trilha do visionário e do artista da América indígena. A primeira trilha revela a natureza do sonho e das visões enquanto vistas através dos olhos e das palavras dos visionários e dos artistas ameríndios, tanto do passado quanto do presente. A segunda trilha explora a função central da visão no contexto dos esforços educativos tribais. A terceira trilha reflete sobre a alquimia do processo criativo desde a perspectiva da orientação e da transformação. A quarta trilha adentra o reino da Cerimônia das Artes, tanto enquanto processo quanto enquanto contexto para aprendizado e entendimento profundo entre os povos indígenas.
De cada uma das trilhas mencionadas irradia anéis concêntricos que se sobrepõem, não apenas as outras trilhas, mas também os outros fundamentos do mito. A tríade do mito, da visão e da arte ressoa os fundamentos do ambiente, do afetivo e do comunal. O todo integrado da educação indígena se torna mais aparente quanto mais exploramos a dimensão do “lugar de que falam os povos indígenas.”


Criando através do sonho e da visão ameríndia

Sonho e visão são uma dimensão integrante da criação artística. Para os povos indígenas, existe um enorme corpo de crenças relativas à natureza dos sonhos e da visão. Este corpo de crenças é ele mesmo muito antigo, com suas raízes sendo lançadas há milhares de anos durante a explosão criativa do Paleolítico Superior. Foi quando  Neandertais e Cro-Magnons começaram a figurar seus sonhos nas paredes das cavernas, na argila, na madeira e na pedra. Deste diverso e extenso corpo de crenças, a compreensão de que os sonhos representam a vida de nosso espírito é o mais comumente sustentado e representado. Um dos fundamentos da vida espiritual Lakota é que buscar uma visão através da execução dos rituais adequados, do jejum e do sacrifício, leva o indivíduo ao contato com o mundo dos sonhos e a energia espiritual contida aí.
Entre os Lakota, os anciões dizem que tudo consiste de quatro contrapartidas espirituais únicas, ainda que integradas. Tais contrapartidas são similares ao que os teólogos ocidentais chamam de “almas”. A primeira destas almas é chamada “Niya” (sopro de vida) e é a essência que anima todos os seres e entidades. A segunda contrapartida é chamada “Nagi” e é similar à personalidade única que cada pessoa ou entidade ostenta, seja planta, animal, ou outra forma material. A terceira alma é chamada “Sicun” e é aquela propriedade especial, poder, ou modo de ser que a distingue como um grupo ou família. Por exemplo, Urso Pardo, Veado do Rabo Branco, Abeto Azul, Grama Doce ou Pedra Obsidiana caracterizariam grupos distintos ou entidades com traços e características particulares. A quarta alma, “Nagila”, é a energia básica universal que percorre todas as coisas; é a energia fundamental do universo, o sopro do Grande Mistério, o “Takuskan Skan” em todas as coisas.
Durante a Dança do Sol Lakota, o “Hanbleceya” (clamando por um sonho) é a hora em que, após extensivo jejum e sacrifício físico, as quatro almas dos dançarinos do sol devem ser ativadas para interagir com as almas de outros espíritos e entidades do mundo através de uma visão. Se o dançarino do sol tem bom coração e se preparou corretamente, ele pode entrar em um estado visionário de sonho. As interações que ocorrem entre as almas aí compartilham importantes conhecimentos e aprendizados que obrigam o dançarino do sol a partilhar com outros para o bem da vida do povo. Como afirma o artista e educador Lakota Arthur Amiotte:

“Somos mais do que seres físicos, a possibilidade de interação, barganha, e intercurso no interior de outras dimensões de tempo, espaço e ser, é a experiência do sonho para os Lakota: uma via alternativa de conhecimento.”

Enquanto via alternativa de conhecimento e aprendizado, o sonho tem contribuído com os povos indígenas de maneiras substanciais. Como com os Lakota, o sonho foi reconhecido por todas as sociedades ameríndias como um modo de criação e de entendimento da natureza essencial do relacionamento com o dentro e o fora de si mesmo. O uso e o contexto do sonho variam amplamente de tribo para tribo e de região para região. Mas em todo caso, o sonho e a forma mais ritualizada e estruturada de visão são uma parte integrante do ritual ameríndio, do cerimonial, e da filosofia da natureza.
Dentre algumas tribos, os sonhos e sua estruturação através do visionamento eram importantes o suficiente para garantir um status especial na organização social de uma tribo, com funções e designações especiais dadas ao interpretador de sonhos ou às sociedades de sonho que coreografavam as cerimônias de visionamento.
Sonhos eram tidos como importantes vias para vislumbrar o futuro, reencontrando aquilo que havia sido perdido, entendendo a causa de desarmonias psicológicas, e a origem de necessidades e desejos que deveriam ser honrados. Por toda a América indígena, os sonhos e o sonhar eram considerados essenciais ao sucesso e à felicidade na vida. Essa valorização dos sonhos estabelece o contexto psicológico e social necessário para receber, relembrar e incorporar os sonhos na realidade da vida cotidiana.
De fato, os sonhadores indígenas, num contexto social que valorizava os sonhos, desenvolveram amplas habilidades para planejar e manipular o conteúdo de seus sonhos em direção a um resultado desejado. Em toda tribo havia recompensas culturais e sociais para sonhos que ajudavam as pessoas. E através da recompensa aos sonhos culturalmente significantes, os índios reforçavam a função do sonhar na estrutura de seus seres sociais e culturais. Com tais incentivos, os sonhadores indígenas ativamente procuravam apanhar qualquer canção ou objeto de sonho que pudesse simbolizar algum aspecto do senso mais profundo de si mesmos, de seu povo, de sua tribo, ou de seu clã. Foi através de tais sonhos e visões que os índios criaram significativos rituais, cerimônias ou costumes, em nível pessoal e grupal, muitos deles ainda desempenhados hoje em dia. Os índios também deram formas criativas a seus sonhos através da arte, da música, da dança, da narrativa, da poesia, do ritual e da cerimônia. É através da arte que os povos indígenas continuam a comunicar seus sonhos hoje em dia.
No geral, os índios efetivamente usaram os sonhos numa grande variedade de situações de resolução de problemas e aprendizado que os levaram ao autoconhecimento. Para se alcançar isso foi necessário o desenvolvimento de uma compreensão prática e direta de uma ecologia da mente e do espírito raramente igualada na contemporaneidade. Desde as primeiras eras, as crianças foram condicionadas, não apenas a reverenciar seus sonhos, mas também a aprender como manipulá-los em direção a resultados desejados. Em resumo, muitos índios aprenderam a sonhar visando um efeito. Compreendendo seus medos, suas esperanças, suas ambições, e suas deficiências através da exaltação e do aprendizado de seus sonhos, muitos índios desenvolveram uma natureza resoluta e autossuficiente que os habilitaram a lidar com situações estressantes e enfrentar as provações e atribulações de suas vidas com alto grau de integridade.
Este legado do sonho, que ao tempo do primeiro contato com os europeus era tão aparente, pode ser revitalizado numa reafirmação contemporânea do processo educacional indígena. O poder de capacitação para entender e honrar o processo do sonho dentro do contexto de uma nova forma de educação indígena é um domínio largamente inexplorado. Hoje em dia, povos indígenas em todas as partes sofrem, em graus variados, de “esquizofrenia cultural”. Sendo constantemente confrontados com a adaptação de si mesmos a dois mundos e modos diferentes de ser causou confusões incontáveis e miséria, bem como disfunção social e pessoal entre os povos indígenas.
O processo educacional deve novamente reconectar a juventude indígena com seu íntimo criador e onírico. Através do processo artístico e da realização do processo visionário como parte do processo educativo, grandes avanços são possíveis na abordagem da desintegração cultural, social e pessoal que se tornou parte significativa das vidas de muitos povos indígenas hoje em dia. Negar a importância espiritual e psicológica do sonho, e não exaltar seu lugar no processo educativo, leva à atrofia de um processo elementar do aprendizado humano. Assegura que uma esquizofrenia cultural/social continuará a se manifestar entre os ameríndios e a cobrar seu pedágio em sangue, sejam eles jovens ou velhos, nas reservas ou nas cidades, miscigenados ou não.

A chave para tal dilema existencial descansa, em parte, no aprendizado e no entendimento da aplicação do processo criativo do visionamento de um modo direto e significativo num cenário educacional indígena contemporâneo. Visões são essenciais: são integrantes do éxito individual e comunal, e são fundamentais para a evolução da consciência e do desenvolvimento humanos.


Introdução do capítulo VI de
Look to the mountain – an ecology of indigenous education
de Gregory Cajete
Kivaki Press, Rio Rancho, New Mexico, USA, 1994.

Tradução: Charles Bicalho