12 de mai. de 2015
Top 25 Coolest Film Festivals of the World
Em 2013 a Mostra Pajé de Filmes Indígenas foi indicada para concorrer no "Top 25 Coolest Film Festivals", ou "Os 25 Festivais de Filme mais Bacanas", uma votação promovida pela revista norte-americana MovieMaker. A Mostra Pajé concorreu na categoria de festivais de documentário. Não acabamos entre os finalistas, mas já ficamos felizes de estar entre grandes festivais mundiais. Neste link se pode acessar a página em que a Mostra aparece na lista para votação dos leitores da revista: http://www.moviemaker.com/archives/articles/movie-maker-doc-festivals/
14 de abr. de 2015
IV Mostra Pajé de Filmes Indígenas
A Mostra Pajé de Filmes Indígenas chega à sua quarta edição. Pela primeira vez abrimos inscrição para seleção de filmes. Recebemos produções oriundas de vários estados do Brasil e de outros países, como Argentina, Chile, Venezuela, México e Canadá.
Dos filmes inscritos, selecionamos 19. Outros 5 filmes, brasileiros e estrangeiros, participam da Mostra como convidados: Hotxuá (2009), de Gringo Cardia e Letícia Sabatella; Rituais e Festas Bororo (1916), de Luiz Thomaz Reis; Segredos da Tribo (2010), de José Padilha; Smoke Signals (1998), de Chris Eyre; e The Exiles (1961), de Kent MacKenzie. Para os dois últimos a Pajé Filmes promoveu a tradução e legendagem para o português.
Curtas, médias e longas metragens compõem nossa programação, ao longo de cinco dias no mês de abril de 2015.
Maya Deren, artista experimental norte-americana, foi uma das que perceberam a relação entre os fazedores de filmes e os xamãs ou pajés. Ela considerava os espectadores de cinema como participantes de uma espécie de ritual. O filme teria para ela a capacidade de nos mergulhar num mundo diferente, como se estivéssemos em transe. Nutrimos simpatia por essa concepção e, de certa maneira, acreditamos que exibir e discutir os filmes indígenas em ambiente urbano é proporcionar contato com universo simbólico distinto e o trânsito para o mundo diferente dos índios, estejam eles vivendo em florestas, desertos ou cidades.
Aby Warburg, estudioso alemão que conjugou seu profundo conhecimento sobre as artes com a expressão dos índios pueblos do sudoeste dos Estados Unidos, também viu nos rituais uma gênese artística que inclui a do movimento cinematográfico. Como escreve Philippe-Alain Michaud, em Aby Warburg e a Imagem em Movimento, “Warburg descobriu nas aldeias indígenas um tipo de pensamento que provinha estritamente das imagens e agia através das imagens.” E mais: “à semelhança de Eisenstein interpretando os hieróglifos japoneses, Warburg havia descoberto entre os hopis uma concepção da montagem capaz de transformar as imagens, por meio da dança ou do desenho, em ação.”
Em Minas Gerais os Maxakali realizam como que projeções cantadas das imagens que ilustram suas histórias. Através do canto, os participantes do ritual imaginam cenas, personagens, falas e ações que compõem seus mitos. Algo como um cinema oral ou cantado. Como escreve Arlindo Machado em Pré-cinemas e Pós-cinemas, “pode haver uma representação mais eloquente do movimento, da duração, do trabalho modelar do tempo e do sincronismo audiovisual nas formas pré e pós-cinematográficas do que nos exemplos ‘oficiais’ da performance cinematográfica.”
É ainda Michaud quem arremata, levando-nos a ver com clareza certas implicações entre o ritual indígena e o ritual cinematográfico: “No cinema, a ação ritual transforma-se em tema figurativo, e a faca sacrificial é substituída pela tesoura do montador. A decomposição e a recomposição das figuras, permitidas pelo cinema, nada mais são do que a roupagem profana de uma concepção mitológica da imagem, que dá forma à explicação do tempo, abrindo as categorias do ser para o abalo do devir.”
Esta IV Mostra Pajé de Filmes Indígenas é consequência do prazeroso trabalho que vem sendo desenvolvido pela Pajé Filmes desde 2008, seja na produção e divulgação de filmes com temática indígena, seja também na pesquisa.
Convidamos a todos para o ritual!
Dos filmes inscritos, selecionamos 19. Outros 5 filmes, brasileiros e estrangeiros, participam da Mostra como convidados: Hotxuá (2009), de Gringo Cardia e Letícia Sabatella; Rituais e Festas Bororo (1916), de Luiz Thomaz Reis; Segredos da Tribo (2010), de José Padilha; Smoke Signals (1998), de Chris Eyre; e The Exiles (1961), de Kent MacKenzie. Para os dois últimos a Pajé Filmes promoveu a tradução e legendagem para o português.
Curtas, médias e longas metragens compõem nossa programação, ao longo de cinco dias no mês de abril de 2015.
Maya Deren, artista experimental norte-americana, foi uma das que perceberam a relação entre os fazedores de filmes e os xamãs ou pajés. Ela considerava os espectadores de cinema como participantes de uma espécie de ritual. O filme teria para ela a capacidade de nos mergulhar num mundo diferente, como se estivéssemos em transe. Nutrimos simpatia por essa concepção e, de certa maneira, acreditamos que exibir e discutir os filmes indígenas em ambiente urbano é proporcionar contato com universo simbólico distinto e o trânsito para o mundo diferente dos índios, estejam eles vivendo em florestas, desertos ou cidades.
Aby Warburg, estudioso alemão que conjugou seu profundo conhecimento sobre as artes com a expressão dos índios pueblos do sudoeste dos Estados Unidos, também viu nos rituais uma gênese artística que inclui a do movimento cinematográfico. Como escreve Philippe-Alain Michaud, em Aby Warburg e a Imagem em Movimento, “Warburg descobriu nas aldeias indígenas um tipo de pensamento que provinha estritamente das imagens e agia através das imagens.” E mais: “à semelhança de Eisenstein interpretando os hieróglifos japoneses, Warburg havia descoberto entre os hopis uma concepção da montagem capaz de transformar as imagens, por meio da dança ou do desenho, em ação.”
Em Minas Gerais os Maxakali realizam como que projeções cantadas das imagens que ilustram suas histórias. Através do canto, os participantes do ritual imaginam cenas, personagens, falas e ações que compõem seus mitos. Algo como um cinema oral ou cantado. Como escreve Arlindo Machado em Pré-cinemas e Pós-cinemas, “pode haver uma representação mais eloquente do movimento, da duração, do trabalho modelar do tempo e do sincronismo audiovisual nas formas pré e pós-cinematográficas do que nos exemplos ‘oficiais’ da performance cinematográfica.”
É ainda Michaud quem arremata, levando-nos a ver com clareza certas implicações entre o ritual indígena e o ritual cinematográfico: “No cinema, a ação ritual transforma-se em tema figurativo, e a faca sacrificial é substituída pela tesoura do montador. A decomposição e a recomposição das figuras, permitidas pelo cinema, nada mais são do que a roupagem profana de uma concepção mitológica da imagem, que dá forma à explicação do tempo, abrindo as categorias do ser para o abalo do devir.”
Esta IV Mostra Pajé de Filmes Indígenas é consequência do prazeroso trabalho que vem sendo desenvolvido pela Pajé Filmes desde 2008, seja na produção e divulgação de filmes com temática indígena, seja também na pesquisa.
Convidamos a todos para o ritual!
13 de fev. de 2015
IV Mostra Pajé de Filmes Indígenas - Dias e horários das sessões de exibição de cada filme
Sesc Palladium, Belo Horizonte, de 22 a 26 de abril de 2015
Filmes selecionados
Filmes selecionados
Awara nane putane – uma história do cipó (22 min, cor, Brasil, 2013)
Direção: Sérgio de Carvalho
Exibição:
24/04 – Sessão 07 – 14 h
26/04 – Sessão 14 – 16 h
Carnavales andinos (5 min, cor, Chile, 2013)
Direção:
Fernando Rivera Ramírez
Exibição:
24/04 – Sessão 09 – 20 h
25/04 – Sessão 10 – 13 h
Conhecendo o desconhecido (20 min, cor, Brasil, 2014)
Direção: Pedro Henrique Cardoso
Exibição:
23/04 – Sessão 05 – 16 h
26/04 – Sessão 13 – 14 h
Flor brilhante e as cicatrizes da pedra (28 min, cor, Brasil, 2013)
Direção e Câmera: Jade Rainho
Exibição:
22/04 – Sessão 02 – 16 h
23/04 – Sessão 06 – 20 h
Guarani, resiste! (10 min, cor, Brasil, 2014)
Direção: Leonardo
Chagas, Patrick Torres, Pedro Biava
Exibição:
24/04 – Sessão 09 – 20 h
25/04 – Sessão 11 – 15 h
Iburi – trompete dos Ticuna (14 min, cor,
Brasil, 2014)
Direção: Edson Matarezio
Exibição:
23/04 – Sessão 05 – 16 h
26/04 – Sessão 15 – 20 h
Índio cidadão?
(50 min, cor, Brasil, 2014)
Direção e Pesquisa: Rodrigo Siqueira
Exibição:
22/04 – Sessão 03 – 20 h
25/04 – Sessão 11 – 15 h
Índios Munduruku – tecendo a resistência (25 min, cor, Reino Unido/Brasil, 2014)
Direção: Nayana Fernandez
Exibição:
22/04 – Sessão 01 – 14 h
24/04 – Sessão 08 – 16 h
Kanga ngugu – língua do peixe (11 min, cor, Mato Grosso do Sul, Brasil, 2012)
Direção:
Awayunyc, Kamayura, Karuarawi Aweti, Samurai Kamayura, Tawana Kalapalo
Exibição:
23/04 – Sessão 05 – 16 h
24/04 – Sessão 07 – 14 h
Karai ha’egui Kunhã
Karai ‘ete – os verdadeiros líderes
espirituais (67 min, cor, Brasil, 2014)
Direção: Alberto Alvares
Exibição:
23/04 – Sessão 05 – 16 h
24/04 – Sessão 07 – 14 h
Karioka (20
min, cor, Mato Grosso, Brasil, 2014)
Direção e Roteiro: Takumã KuiKuro
Exibição:
22/04 – Sessão 01 – 14 h
25/04 – Sessão 12 – 20:30 h
Katary – levántate (18 min, cor, Venezuela, 2014)
Direção: Awki Esteban Lema
Exibição:
22/04 – Sessão 02 – 16 h
26/04 – Sessão 13 – 14 h
Me'ôk
– nossa pintura (24 min, cor, Brasil,
2014)
Direção: Fábio
Nascimento, Thiago Oliveira
Exibição:
23/04 – Sessão 05 – 16 h
25/04 – Sessão 12 – 20:30 h
O homem que matou Deus (15 min, cor/pb, Brasil/França, 2013)
Direção: Noé Vitoux
Exibição:
22/04 – Sessão 02 – 16 h
24/04 – Sessão 07 – 14 h
O mestre e o Divino (85 min, cor, Brasil, 2013)
Direção: Tiago Campos
Exibição:
22/04 – Sessão 03 – 20 h
23/04 – Sessão 04 – 14 h
Paisaje y memoria – la geografía
simbólica de los Yumanos de Baja California (28 min, cor, México, 2014)
Coordenação: Everardo
Garduño
Exibição:
23/04 – Sessão 06 – 20 h
26/04 – Sessão 13 – 14 h
Tava – a casa de pedra (78 min, cor, Brasil, 2012)
Direção: Ariel Ortega,
Ernesto de Carvalho, Patrícia Ferreira, Vincent Carelli
Exibição:
23/04 – Sessão 06 – 20 h
26/04 – Sessão 13 – 14 h
Uma casa, uma vida (24 min, cor, Brasil, 2013)
Direção: Jovens Xavante em
parceria com o coletivo Raiz das Imagens
Exibição:
22/04 – Sessão 01 – 14 h
24/04 – Sessão 09 – 20 h
Urihi haromatipë – curadores da terra-floresta (60 min, cor, Brasil, 2014)
Direção: Morzaniel Iramari
Direção: Morzaniel Iramari
Exibição:
23/04 – Sessão 05 – 16 h
26/04 – Sessão 15 – 20 h
Filmes convidados
Hotxuá (70
min, cor, Brasil, 2009)
Direção: Letícia Sabatella,
Gringo Cardia
Exibição:
22/04 – Sessão 01 – 14 h
24/04 – Sessão 09 – 20 h
Rituais e festas Bororo (26 min, pb, silencioso, Brasil, 1916)
Direção:
Luiz Thomaz Reis
Exibição:
23/04 – Sessão 04 – 14 h
24/04 – Sessão 09 – 20 h
Segredos da tribo (110 min, cor, Brasil/Reino Unido, 2010)
Direção e Roteiro: José
Padilha
Exibição:
24/04 – Sessão 08 – 16 h
25/04 – Sessão 10 – 13 h
Smoke signals
(89 min, cor, Canadá/EUA, 1998)
Direção: Chris Eyre
Exibição:
25/04 – Sessão 12 – 20:30 h
26/04 – Sessão 14 – 16 h
The exiles
(72 min, pb, EUA, 1961)
Direção: Kent MacKenzie
Exibição:
25/04 – Sessão 11 – 15 h
26/04 – Sessão 15 – 20 h
10 de fev. de 2015
Cartaz da IV Mostra Pajé de Filmes Indígenas
Eis o cartaz da IV Mostra Pajé de Filmes Indígenas, criado pela designer Jenifer Abad. A IV Mostra Pajé acontecerá no Sesc Palladium, em Belo Horizonte, entre os dias 22 e 26 de abril de 2015. Agradecemos especialmente ao povo indígena Waiana pelo grafismo usado no cartaz e às Profas. Lúcia van Velthem e Lux Vidal pela autorização do uso da imagem, constante no livro Grafismo Indígena (Studio Nobel/Edusp/FAPESP, 1992).
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