17 de nov. de 2019
Intertextualidade onírica na mídia indígena
"Intertextualidade onírica na mídia indígena" é o nome do artigo de autoria de Charles Bicalho publicado nos anais do VII Seminário de Pesquisa Discente do Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários (SPLIT) da Faculdade de Letras da UFMG. Intitulado A Crítica Literária Contemporânea Produzida no Brasil, o volume traz uma série de trabalhos de vários pesquisadores acadêmicos.
Para baixar o PDF com todos os artigos, acesse o link:
http://www.letras.ufmg.br/padrao_cms/documentos/eventos/vivavoz/ANAIS%204%20site.pdf
13 de nov. de 2019
Mãtãnãg vai à final na Espanha
Nosso filme de animação, Mãtãnãg, a Encantada, concorre em duas categorias na fase final do FIBABC na Espanha: Premio al Mejor Corto de América Latina e Premio de la Crítica de ABC al Mejor Corto No Estrenado en España.
Precisamos dos votos para vencer a final.
Assistam e votem!
https://fibabc.abc.es/finalistas/?fbclid=IwAR24BqJG22aLMPBHaowz6hULPdkH6EUusT9E1j-v1r2bAAoxyX-AqZspx-g
6 de nov. de 2019
Mãtãnãg no Forumdoc.bh.2019
Mãtãnãg, a Encantada, nova produção em animação da Pajé Filmes, está na programação do Forumdoc.bh.2019.
Para obter maiores informações sobre nosso filme e o festival, acesse o link:
https://www.forumdoc.org.br/movie/matanag-a-encantada/
5 de out. de 2019
Mãtãnãg, a Encantada tem estreia internacional
A estreia internacional do curta-metragem de animação Mãtãnãg, a Encantada – produzido pela Pajé Filmes com o apoio do programa Rumos Itaú Cultural 2017-2018 – acontece entre 21 de outubro e 1º de novembro de 2019 e reúne também uma série de debates sobre o processo de produção do filme.
Maiores informações no link:
27 de set. de 2019
Konãgxeka em Paris
Konãgxeka: o Dilúvio Maxakali está na seleção de filmes a serem apresentados no Cycle Ciné Amériques, evento que ocorre de 25 de setembro a 18 de dezembro no INALCO - Institut National de Langues et Civilisations Orientales, em Paris, França.
A proposta do Ciclo é exibir produções "em línguas autóctones ou produzidas por realizadores autóctones do continente americano".
Konãgxeka será exibido no dia 17 de outubro.
Maiores informações, como a programação completa, podem ser acessadas no link:
http://www.inalco.fr/actualite/cycle-cine-ameriques-inalco-association-ameriques
21 de set. de 2019
Mãtãnãg em Campos do Jordão
Mãtãnãg, a Encantada, novo filme de animação da Pajé Filmes foi selecionado para a quinta edição do Festival Curta Campos do Jordão, que ocorrerá de 15 a 20 de outubro.
Mãtãnãg é um dos 60 selecionados dentre 433 produções inscritas.
Maiores informações sobre o Festival podem ser conferidas no site: http://www.fccj.com.br/
10 de set. de 2019
Konãgxeka na Mostra Filmes de Montanha
Konãgxeka: o Dilúvio Maxakali (2016) é um dos 19 selecionados e está na programação da Mostra Filmes de Montanha, que já aconteceu em Foz de Iguaçu, no Paraná, e agora acontecerá em Itajaí e Florianópolis, em Santa Catarina.
Para conferir todos os filmes selecionados, acesse o link:
https://mfm-brasil.wixsite.com/home?fbclid=IwAR1OL9eUdbvMTfhw3m3fD3xI4KOTd9LLwi8iC-2PbVpr8N5QqjW6GnpEmgw
27 de ago. de 2019
Artigo publicado nos Anais do V Seminário de Artes Digitais - Indígenas Digitais: Do Ritual Às Novas Mídias
Acaba de ser publicado mais um registro da participação da produção da Pajé Filmes em eventos acadêmicos. Trata-se dos Anais do V Seminário de Artes Digitais 2019, ocorrido em Belo Horizonte, de 23 a 26 de abril deste ano.
O V Seminário de Artes Digitais é organizado pelo Laboratório de Poéticas Fronteiriças da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) e CNPq, a partir de comitê composto por membros de várias instituições (UEMG, CEFET-MG, UFSM, FAD/ICAT). A edição de 2019 da Seminário foi estendida e contou com o apoio de agências de fomento nacionais e diversos outros parceiros, tais como grupos de pesquisa consolidados no país e no exterior.
O título de nosso artigo, que vai das páginas 331 a 340 dos Anais, é "Indígenas Digitais: do ritual às novas mídias", de autoria de Charles Bicalho.
Para baixar o PDF da publicação, basta clicar no link:
https://drive.google.com/file/d/1Fey0SisNlrYmjZZEHXgiTCXNnq8J_pgS/view
17 de ago. de 2019
Konãgxeka: o Dilúvio Maxakali no Spcine Play
Nosso curta-metragem de animação, Konãgxeka: o Dilúvio Maxakali, já está disponível para streaming na Spcine Play, a plataforma de vídeo sob demanda totalmente dedicada ao cinema nacional. Fruto de um consórcio público-privado formado pela a Spcine (empresa da Prefeitura de São Paulo), a O2 Filmes e o laboratório de soluções digitais Hacklab, a Spcine Play tem uma sessão inteira dedicada a filmes de temática infantil, que é onde foi hospedado nosso Konãgxeka.
Para utilizar o serviço de estreaming, o usuário faz um cadastro. O aluguel de cada filme custa R$ 3,90, pagável com cartão de crédito.
Para conferir nosso filme, bem como todos os outros do catálogo da Spcine Play, acesse o link: https://www.spcineplay.com.br/
Para conferir nosso filme, bem como todos os outros do catálogo da Spcine Play, acesse o link: https://www.spcineplay.com.br/
31 de jul. de 2019
Konãgxeka no Picnik Festival 2019
Konãgxeka: o Dilúvio Maxakali está na programação da quinta edição do Picnik Festival, que acontece nos dias 10 e 11 de agosto. Com mais de 30 eventos, o Festival acontece simultaneamente em São Paulo, Goiânia e Brasília, unindo moda, arte, design, audiovisual e muito mais.
Dedicado à cultura indígena brasileira, o Picnik deste ano tem no Memorial dos Povos Indígenas em Brasília o seu epicentro.
Para maiores informações, confira a página do evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/624810498041808/
14 de jun. de 2019
Cartaz de Mãtãnãg, a Encantada
Já estão circulando duas versões para o cartaz de nosso novo filme de animação, Mãtãnãg, a Encantada. A arte gráfica do filme é assinada por Charles Bicalho e Jackson Abacatu. Mas a primeira versão do cartaz aqui, com fundo escuro, é criação exclusiva de Jackson Abacatu.
13 de jun. de 2019
Lançamento de Mãtãnãg, a Encantada
Está confirmada a pré-estreia de Mãtãnãg, a Encantada, o novo filme de animação da Pajé Filmes.
Em sessão especial no MIS Cine Santa Tereza, o cinema do Museu da Imagem e do Som de Belo Horizonte, no dia 20 de julho, às 17 horas, Matãnãg será precedido de outros dois curtas produzidos pela Pajé Filmes, numa pequena retrospectiva da trajetória da produtora: Xupapoynãg (2012) e Konãgxeka: o Dilúvio Maxakali (2016). O primeiro é um documentário dirigido por Isael Maxakali com foco no ritual da lontra dos Maxakali. Konãgxeka, a primeira animação da Pajé, dirigida por Isael Maxakali e Charles Bicalho, conta a versão maxakali do mito diluviano.
Patrocinado pelo edital Rumos Itaú Cultural 2017-2018, Mãtãnãg é a segunda animação da Pajé e se baseia em outra história mitológica dos Maxakali. Como resume a sinopse do filme: a índia
Mãtãnãg segue o espírito de seu marido, morto picado por uma cobra, até a
aldeia dos mortos. Juntos eles superam os obstáculos que separam o mundo
terreno do mundo espiritual. Uma vez na terra dos espíritos, as coisas são
diferentes: outros modos regem o sobrenatural. Mas Mãtãnãg não está morta e sua
alma deve retornar ao convívio dos vivos. De volta à sua aldeia, reunida a seus
parentes, novas vicissitudes durante um ritual proporcionarão a oportunidade
para que mais uma vez vivos e mortos se reencontrem. Falado em língua Maxakali
e legendado, Mãtãnãg se baseia em uma história tradicional do povo Maxakali. As
ilustrações para o filme foram realizadas em oficina na Aldeia Verde, no
município de Ladainha, em Minas Gerais.
O MIS Cine Santa Tereza fica localizado à rua Estrela do Sul, 89, na Praça Duque de Caxias, no bairro de Santa Tereza.
A entrada é gratuita.
31 de mai. de 2019
Konãgxeka no Prix Jeunesse Iberoamericano
Com satisfação informamos que nosso curta-metragem de animação, Konãgxeka: o Dilúvio Maxakali, foi selecionado para o Festival comKids - Prix Jeunesse Iberoamericano 2019, que se dará no Sesc Consolação e Goethe-Institut, em São Paulo, de 11 a 16 de agosto.
Selecionado por uma equipe de 23 profissionais de oito países, Konãgxeka será exibido em sessão para público de 11 a 15 anos, com outras 12 produções, de um total de 80 filmes que compõem o Festival.
A lista com todas as produções selecionadas pode ser conferida no link:
https://comkids.com.br/finalistas-do-festival-comkids-prix-jeunesse-iberoamericano-2019/
30 de mai. de 2019
Konãgxeka na Universidade de Oklahoma, nos Estados Unidos
Konãgxeka: o Dilúvio Maxakali foi exibido no OU Brazilian Film Festival, promovido pelo OU Lusophone Club da Universidade de Oklahoma. Konãgxeka fechou o festival, que aconteceu de 25 de março a 04 de abril de 2019.
Maiores detalhes, como a programação completa, podem ser conferidos no link:
http://www.oudaily.com/culture/ou-lusophone-club-hosts-film-festival-to-showcase-brazilian-culture/article_e0e183d0-468f-11e9-90ce-a763938b515e.html
26 de mai. de 2019
Pré-estreia de Mãtãnãg no MIS Cine Santa Tereza
É com muita satisfação que informamos que a Pajé Filmes fechou parceria com o Museu da Imagem e do Som (MIS) de Belo Horizonte e vai realizar a pré-estreia de seu novo filme de animação, Mãtãnãg, a Encantada, no MIS Cine Santa Tereza.
A exibição de Mãtãnãg se dará no dia 20 de julho, às 17 horas.
A pré-estreia de nossa nova animação se dará durante a Virada Cultural e contará com uma pequena retrospectiva da trajetória de 10 anos da Pajé Filmes. Na mesma sessão, antes de Mãtãnãg, serão exibidos também o documentário Xupapoynãg (2012), de Isael Maxakali, e Konãgxeka, o Dilúvio Maxakali (2016), com direção de Isael Maxakali e Charles Bicalho.
O MIS Cine Santa Tereza fica localizado à rua Estrela do Sul, 89, na Praça Duque de Caxias, no bairro de Santa Tereza, em Belo Horizonte.
Em breve divulgaremos o link com a programação completa do evento.
15 de abr. de 2019
Konãgxeka no Espírito Santo
Konãgxeka: o Dilúvio Maxakali está na programação da Aliança Indígena, evento que acontece no Cine Metrópolis, localizado no Campus da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), em Vitória, Espírito Santo, no dia 17 de abril.
Haverá mostra de filmes, debates, lançamento de livros, apresentações culturais com atividades, exposição de fotos, mostra de dança, pintura corporal, dentre outras atividades.
Uma imagem de Konãgxeka foi inclusive utilizada no cartaz do evento.
Maiores detalhes sobre a Aliança Indígena podem ser conferidos na matéria neste link:
https://seculodiario.com.br/public/jornal/materia/ufes-tera-um-dia-inteiro-de-atividades-sobre-questao-indigena
15 de mar. de 2019
Konãgxeka na China
Com satisfação informamos que Konãgxeka: o Dilúvio Maxakali está na programação do Water Towns - Environmental Film & Arts Festival, que acontece na China, na cidade de Kunshan, províncida de Jiangsu, entre os dias 11 e 14 de abril.
Promovido pela Duke Kunshan University, a proposta do Water Towns é celebrar a natureza, a saúde, a sociedade e as artes, congregando cineastas, pesquisadores, cientistas e artistas para pensar o mundo em que vivemos.
Maiores informações, no site do festival:
https://sites.duke.edu/watertowns/?p=147
22 de fev. de 2019
Konãgxeka e Xupapoynãg na Brown University nos Estados Unidos
A animação Konãgxeka: o Dilúvio Maxakali e o documentário Xupapoynãg, ambas produções da Pajé Filmes estão na programação do Film Spring Series 2019 - Screening of Indigenous-Themed Shorts, que faz parte do The Brazil Initiative at Brown, evento que foca manifestações da cultura brasileira e acontece no dia 28 próximo, na Brown University, na cidade de Providence, estado de Rhode Island, nos Estados Unidos.
A programação pode ser conferida no link:
https://www.evensi.us/screening-indigenous-themed-shorts-brazil-initiative-brown/292989917
Konãgxeka na Ameríndia em Lisboa
Ameríndia - Percursos do Cinema Indígena no Brasil é o nome da mostra que acontece de 13 a 17 de março na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, Portugal. Konãgxeka: o Dilúvio Maxakali, bem como Xokxop Pet (2009), outra produção da Pajé Filmes dirigida por Isael Maxakali, estão na programação de uma das 13 sessões que a mostra traz.
Com curadora de Ailton Krenak, Vincent Carelli, Miguel Ribeiro, Rodrigo Lacerda e Rita Natálio, "a Mostra Ameríndia apresenta uma seleção de filmes em que os coletivos indígenas actuam em diferentes níveis. Por vezes, são realizadores no sentido ocidental e direcionam a câmara para o quotidiano da sua aldeia, rituais ou a sociedade colonial. Outras vezes colaboram com não-indígenas na produção de obras. As propostas, selecionadas de diferentes momentos históricos e produzidas por diferentes etnias e em diversos contextos de produção, dão forma a uma real multiplicidade nas suas escolhas formais e temáticas".
Programação completa e outras informações podem ser acessadas no catálogo da mostra neste link:
http://fcsh.unl.pt/media/noticias/destaques/documentos/MOSTRA_AMERINDIA_V8.pdf
28 de dez. de 2018
Novos testes de Mãtãnãg
Jackson Abacatu, Diretor de Animação de Mãtãnãg, segue dando vida a nosso filme. Personagens, cenas e objetos surgem do trabalho artesanal com recortes, colagens e movimentos.
Abaixo, Mãtãnãg e o espírito yãmîy de seu marido, os morcegos e a espinheira em chamas em quadros congelados de passagens do filme ainda em processo de feitura.
19 de dez. de 2018
Primeiros testes de Mãtãnãg
Estão surgindo os primeiros testes de Mãtãnãg, nova produção da Pajé Filmes, com Co-Direção de Shawara Maxakali, roteiro em parceira com Pajé Totó, e Direção de Animação de Jackson Abacatu.
27 de out. de 2018
Takumã Kuikuro, cineasta
O Globo, Página 2, p. 2 - 13/11/2017
Takumã Kuikuro, cineasta: "Queremos registrar nossa cultura"
Documentarista veio ao Rio com outros membros de sua aldeia participar do festival Multiplicidade, no Oi Futuro Flamengo
Daniel Salgado
Últimas de Conte algo que não sei
"Tenho 34 anos e sou membro da etnia indígena Kuikuro, do Alto Xingu. Trabalho com audiovisual há mais de uma década, e já gravei diversos longas e curtas-metragens, entre eles o documentário 'As hiper mulheres'. Além disso, também faço projetos para levar o audiovisual a outras aldeias da região."
Conte algo que não sei.
Nós costumamos assistir a filmes de outras comunidades na nossa própria aldeia. Tentamos colocar, sempre que possível, um telão para que todo mundo os veja. Não são filmes americanos, normalmente. Mas o primeiro filme a que assisti, em 1996, foi um do Bruce Lee, justamente quando estava em reclusão para me tornar um lutador.
Como você e a sua comunidade começaram a trabalhar com cinema?
Foi em 2000, com a chegada de uma equipe de antropólogos na minha aldeia, dos Kuikuro, que fica no Xingu. Lá, eu e alguns outros começamos a aprender a mexer nos equipamentos de vídeo que eles trouxeram. Mas ainda levaria anos até que nos acostumássemos e produzíssemos nossas próprias obras. Durante esse processo, por exemplo, tive que aprender português para facilitar meu domínio das câmeras. O primeiro filme só saiu em 2002, com a chegada do projeto Vídeo na Aldeia.
E como foi a aceitação das filmagens dentro da aldeia?
Foi difícil. Em um filme que fizemos sobre um eclipse, quisemos registrar os rituais, as danças e os hábitos da aldeia durante o evento. Mas houve muita resistência por parte dos outros, que não estavam acostumados em serem filmados. Por isso, tivemos que começar gravando nossos familiares. No fim das contas, quando mostramos o resultado, todos se abriram e abraçaram o projeto.
Como o cinema impacta o dia a dia dos Kuikuro?
Ajuda muito, mesmo, na preservação da nossa cultura. Com o tempo e a aceitação da comunidade, chegamos a formar um coletivo Kuikuro de cinema para todas as aldeias da nossa cultura. A partir dele, nosso cacique nos fez um pedido: ele estava preocupado com a falta de interesse dos jovens pelas nossas tradições e pediu que as registrássemos para que não se perdessem com o tempo. Então, gravamos dezenas de horas de cantos, danças e outras práticas da nossa cultura.
E os jovens passaram a se interessar?
Sim, com certeza! Hoje, muitos dos jovens da aldeia buscam saber diretamente das nossas tradições através destes filmes e registros. Como gravamos em 2005, mostramos a eles o que acontecia há quase uma década, e eles estão demonstrando um interesse renovado.
O cinema também serve de ponte entre as diversas comunidades do Xingu?
Cada vez mais. Na minha volta do Rio de Janeiro, quando vim para estudar, fizemos exibições dos filmes Kuikuro em outras nove aldeias. E elas se interessaram tanto que já nos pedem para gravar suas memórias. Atualmente, estamos oferecendo oficinas em outras comunidades para aumentar essa produção.
E que histórias você gostaria de contar que ainda não teve a oportunidade?
Estou pensando principalmente em duas. Primeiro, contar a vida dos indígenas que saem das aldeias para morar na cidade grande, entender suas rotinas. Além disso, mostrar as brigadas indígenas que estão sendo formadas nos últimos tempos para combater incêndios florestais no Xingu. Muita gente diz que indígena não trabalha. Através do nosso cinema, queremos mostrar que isso é mentira. Queremos registrar nossa língua, nossa cultura. Promover uma troca de olhares.
O Globo, 13/11/2017, Página 2, p. 2
https://oglobo.globo.com/sociedade/conte-algo-que-nao-sei/takuma-kuikuro-cineasta-queremos-registrar-nossa-cultura-22057009
Documentarista veio ao Rio com outros membros de sua aldeia participar do festival Multiplicidade, no Oi Futuro Flamengo
Daniel Salgado
Últimas de Conte algo que não sei
"Tenho 34 anos e sou membro da etnia indígena Kuikuro, do Alto Xingu. Trabalho com audiovisual há mais de uma década, e já gravei diversos longas e curtas-metragens, entre eles o documentário 'As hiper mulheres'. Além disso, também faço projetos para levar o audiovisual a outras aldeias da região."
Conte algo que não sei.
Nós costumamos assistir a filmes de outras comunidades na nossa própria aldeia. Tentamos colocar, sempre que possível, um telão para que todo mundo os veja. Não são filmes americanos, normalmente. Mas o primeiro filme a que assisti, em 1996, foi um do Bruce Lee, justamente quando estava em reclusão para me tornar um lutador.
Como você e a sua comunidade começaram a trabalhar com cinema?
Foi em 2000, com a chegada de uma equipe de antropólogos na minha aldeia, dos Kuikuro, que fica no Xingu. Lá, eu e alguns outros começamos a aprender a mexer nos equipamentos de vídeo que eles trouxeram. Mas ainda levaria anos até que nos acostumássemos e produzíssemos nossas próprias obras. Durante esse processo, por exemplo, tive que aprender português para facilitar meu domínio das câmeras. O primeiro filme só saiu em 2002, com a chegada do projeto Vídeo na Aldeia.
E como foi a aceitação das filmagens dentro da aldeia?
Foi difícil. Em um filme que fizemos sobre um eclipse, quisemos registrar os rituais, as danças e os hábitos da aldeia durante o evento. Mas houve muita resistência por parte dos outros, que não estavam acostumados em serem filmados. Por isso, tivemos que começar gravando nossos familiares. No fim das contas, quando mostramos o resultado, todos se abriram e abraçaram o projeto.
Como o cinema impacta o dia a dia dos Kuikuro?
Ajuda muito, mesmo, na preservação da nossa cultura. Com o tempo e a aceitação da comunidade, chegamos a formar um coletivo Kuikuro de cinema para todas as aldeias da nossa cultura. A partir dele, nosso cacique nos fez um pedido: ele estava preocupado com a falta de interesse dos jovens pelas nossas tradições e pediu que as registrássemos para que não se perdessem com o tempo. Então, gravamos dezenas de horas de cantos, danças e outras práticas da nossa cultura.
E os jovens passaram a se interessar?
Sim, com certeza! Hoje, muitos dos jovens da aldeia buscam saber diretamente das nossas tradições através destes filmes e registros. Como gravamos em 2005, mostramos a eles o que acontecia há quase uma década, e eles estão demonstrando um interesse renovado.
O cinema também serve de ponte entre as diversas comunidades do Xingu?
Cada vez mais. Na minha volta do Rio de Janeiro, quando vim para estudar, fizemos exibições dos filmes Kuikuro em outras nove aldeias. E elas se interessaram tanto que já nos pedem para gravar suas memórias. Atualmente, estamos oferecendo oficinas em outras comunidades para aumentar essa produção.
E que histórias você gostaria de contar que ainda não teve a oportunidade?
Estou pensando principalmente em duas. Primeiro, contar a vida dos indígenas que saem das aldeias para morar na cidade grande, entender suas rotinas. Além disso, mostrar as brigadas indígenas que estão sendo formadas nos últimos tempos para combater incêndios florestais no Xingu. Muita gente diz que indígena não trabalha. Através do nosso cinema, queremos mostrar que isso é mentira. Queremos registrar nossa língua, nossa cultura. Promover uma troca de olhares.
O Globo, 13/11/2017, Página 2, p. 2
https://oglobo.globo.com/sociedade/conte-algo-que-nao-sei/takuma-kuikuro-cineasta-queremos-registrar-nossa-cultura-22057009
2 de out. de 2018
James Young Deer
James Young Deer (1876-1946), também conhecido como J. Younger Johnson ou Jim Young Deer, nasceu na verdade James Young Johnson, em Washington, DC, nos Estados Unidos.
Tornou-se ator, diretor, roteirista e produtor. Acredita-se que seja o primeiro indígena diretor e produtor em Hollywood.
Junto com sua esposa e parceira, Lillian St. Cyr (Winnebago, Nebraska), eram considerados uma “força influente” (“influential force”) na produção dos primeiros filmes de western no período do cinema silencioso. Seus filmes, bem como outros do período, eram notáveis por retratar os índios positivamente.
Ainda que fosse identificado nos primeiros filmes em
Hollywood como sendo do povo Winnebago, de Nebraska, seus ancestrais eram na
verdade do povo Nanticoke, do estado de Delaware.
Young Deer entrou para a Marinha dos Estados Unidos em
1898, onde permaneceu por três anos durante a Guerra Hispano-Americana, mas
aparentemente se desiludiu com o “grande preconceito” da instituição.
Trabalhou no Wild West Show de Buffalo Bill.
Deer começou a atuar em 1909 em Nova York em filmes western.
Kalem, Lubin, Vitagraph e Biograph estavam entre as companhias cinematográficas
para as quais trabalhou. Trabalhou também para a New York Motion Pictures
Company, uma das primeiras produtoras independentes dos Estados Unidos.
Em 1910 foi contratado pela companhia francesa Pathé Frères,
que tinha uma filial em Jersey City e sofria críticas por seus filmes
apresentarem uma visão pouco realista do velho oeste. Young Deer fora
contratado então para produzir os filmes de temática indígena e acabou
chefiando as operações do West Coast Studio no distrito de Edendale, em Los
Angeles. Atuou, roteirizou, dirigiu e produziu aproximadamente 150 filmes na
Pathé West Coast Studio.
Em 1910, um quinto dos filmes nos Estados Unidos eram westerns
e as companhias lutavam para estabelecer o seu domínio no gênero. Nesse período
indígenas eram retratados de um modo positivo. Diretores frequentemente
contratavam índios como atores. “Durante esse período índios se tornaram
símbolo de integridade, estoicismo e confiabilidade”, escreve o historiador
William K. Everson.
Os filmes de Deer se caracterizavam pela ausência dos
típicos clichês de índios guerreiros hostis e atacantes de vagões de trem,
ainda que alguns estúdios já apresentassem índios sob uma luz favorável.
Em 1913 Young Deer fora acusado de abuso por uma garota de 15
anos na Califórnia. A acusação o motivou a ir trabalhar no Reino Unido.
Trabalhou em Londres em 1914 filmando suspense para a British and Colonial
Films. Consta que tenha filmado documentários na França durante a Primeira
Guerra Mundial.
Ao retornar aos Estados Unidos os filmes de western já não
eram tão populares, o que diminuiu suas oportunidades de trabalho. Ele então
foi dirigir uma escola para atores em São Francisco.
Em julho de 1930 viajou para o Arizona para se casar com
Helen Gilchrist, que veio a falecer em 1937. Na década de 30 teria trabalhado
ocasionalmente como diretor assistente em produções independentes de baixo
orçamento, em filmes B e seriados.
James Young Deer morreu em Nova York em abril de 1946 e foi
enterrado no Cemitério Nacional de Long Island, identificado como veterano da
Guerra Hispano-Americana.
Filmografia:
Como diretor
- Lieutenant Daring RN and the Water Rats (1924)
- The Stranger (1920/I)
- Who Laughs Last (1920)
- The Savage (1913)
- The Unwilling Bride (1912)
- The Squaw Man's Sweetheart (1912)
- Red Deer's Devotion (1911)
- The Yaqui Girl (1910)
- Cowboy Justice (1910)
- An Indian's Gratitude (1910)
- A Cheyenne Brave (1910)
- The Red Girl and the Child (1910)
- Under Both Flags (1910)
- White Fawn's Devotion:
A Play Acted by a Tribe of Red Indians in America (1910)
- Red Wing's Gratitude (1909)
- For Her Sale; ou Two Sailors and a Girl (1909)
- The Falling Arrow (1909)
Como ator
- Man of Courage (1922)
- Under Handicap (1917)
- Against Heavy Odds (1914)
- The Unwilling Bride (1912)
- Little Dove's Romance (1911)
- Red Deer's Devotion (1911)
- Young Deer's Return (1910)
- The Red Girl and the Child (1910)
- The Indian and the Cowgirl (1910)
- The Cowboy and the Schoolmarm (1910)
- Young Deer's Gratitude (1910)
- The Ten of Spades; ou A Western Raffle (1910)
- Young Deer's Bravery (1909)
- Red Wing's Gratitude (1909)
- The Mended Lute (1909)
- The True Heart of an Indian (1909)
Como roteirista
- Lieutenant Daring RN and the Water Rats (1924)
- Neck and Noose (1919)
- White Fawn's Devotion:
A Play Acted by a Tribe of Red Indians in America (1910)
Texto traduzido e adaptado de:
https://en.wikipedia.org/wiki/James_Young_Deer
https://www.aisc.ucla.edu/news/files/Young%20Deer%20BL%20Article.pdf
No link a seguir se pode assistir a White Fawn's Devotion, um dos poucos filmes de Young Deer que sobreviveram, e que foi agregado ao National Film Registry da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos em 2008:
https://www.youtube.com/watch?v=wmaa0dsjdCA
Texto traduzido e adaptado de:
https://en.wikipedia.org/wiki/James_Young_Deer
https://www.aisc.ucla.edu/news/files/Young%20Deer%20BL%20Article.pdf
No link a seguir se pode assistir a White Fawn's Devotion, um dos poucos filmes de Young Deer que sobreviveram, e que foi agregado ao National Film Registry da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos em 2008:
https://www.youtube.com/watch?v=wmaa0dsjdCA
4 de set. de 2018
Konãgxeka na III Mostra de Cinema Tela Indígena
Konãgxeka: o Dilúvio Maxakali foi selecionado e está na programação da III Mostra de Cinema Tela Indígena, que acontece entre os dias 13 e 17 de setembro, na Cinemateca Capitólio, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul.
A mostra exibe filmes realizados por indígenas e com essa temática. Serão exibidos 27 filmes, de mais de 18 etnias diferentes. Também contaremos com a presença de 20 artistas, pesquisadores, cineastas e lideranças indígenas de todo o Brasil.
Konãgxeka será exibido no dia 15, às 19:30, em sessão intitulada "O dilúvio e a lagarta".
Mais informações no site: https://www.mostratelaindigena.com.br/
Programação Completa: https://goo.gl/ye9ENy
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